Tarsila do Amaral – Biografia, Vida, Obra e Características da artista

Tarsila do Amaral (1886-1973) foi uma artista plástica brasileira e uma das fiugras mais aclamadas da pintura nacional ao lado de sua amiga pessoal, Anitta Malfatti. Junto à ela criou o movimento modernista e movimento antropofáfico, ambas expressões que buscavam inspiração na identidade cultural e realidade brasileira e ajudaram a mudar o rumo da arte tecnicista e acadêmica influenciada à época pelos padrões europeus.

A obra mais famosa de Tarsila de Amaral é o Abaporu, considerado o quadro mais valioso da história da arte brasileira e uma peça chave para entender a importância da vida e obra desta autora para o Brasil e o mundo.

Conheça aqui mais detalhes sobre a vida pessoal e profissinoal da artista na biografia de Tarsila do Amaral.

Biografia de Tarsila do Amaral

Tarsila do Amaral nasceu em 1 de setembro de 1886 na fazenda São Bernardo, localizada na cidade de Capivari, no interior de São Paulo. Com uma família abastada e herdeira de de várias terras no interior de SãoPaulo, a Tarsila pouco faltou na infância, que passou quase inteira dentro dos domínios da fazenda de seu pai. Entre suas atividades estava estudar, ouvir a mãe tocar piano e recitar poesias em francês.

Completou seus estudos fundamentais no Colégio Sion e, quando adolescente, mudou-se para Barcelona, na Espanha, para estudar artes. Lá, criou o seu primeiro quadro: “Sagrado Coração de Jesus”, em 1904 e cultivou seu amor pela pintura.

Tarsila do Amaral e Dulce

Tarsila do Amaral e Dulce, sua filha

Quando voltou para o Brasil, casou-se em seguida com André Teixeira Pinto, a pedido de seu pai. O marido, no entanto, não aceitava a ausência da eposa que passava mais tempo estudanto na Europa do que em casa. No ideal de seu esposo, ela deveria ficar em casa para cuidar da sua única Filha Dulce, fruto do primeiro ano de casamento.

Recusando-se a adotar o comportamento recatado e doméstico, Tarsila perdiu a separação logo após o nascimento da filha. Como o divórcio não era permitido naquela época, em 1925, pediu auxílio da influênica de sua família para anular o casamento.

Solteira e com uma filha para sustentar, Tarsila tratou de arranjar um ofício. Não pôde pensar nada que não fosse a pintura. De início começou a fazer esculturas e ingressou na turma de pintura do ateliê de Pedro Alexandrino, em 1918 para aprender mais sobre sua própria vocação.

Rapidamente, Tarsila fez amizade com pessoas importantes dentro do ateliê, entre elas, Anitta Malfatti, que se tornaria uma amiga pessoal de longa data. Entretanto, ainda sem absorver a cultura brasileira, Tarsila acreditava que tinha mais inspiração fora do país. Assim, foi estudar em Paris, na Acaémie Julien onde teria aulas com o pintor Emile Renard.

Na época, a França era uma influência cultural gigante e Paris o grande palco das vanguardas artísticas. Tarsila, como filha da nobreza, conseguia se fazer incluir nesse círculo de intelectuais que pensavam artisticamente.

A medida que entendia melhor os movimentos arísticos, foi se descobrindo cada vez mais pintora e cada vez mais modernista. Em uma carta que enviou pouco tempo depois de chegar a Paris para sua amiga Anita Malfatti já previa:

Veja, Anitta, aqui está cheio de cubismo e futurismo. Muitas paisagens impressionistas e dadaístas. Mas não sei se me convence esse excesso de cubismo e futurismo.

Anita Malfatti também embarcava na onda modernista e, assim como Anita, descobria que suas raízes estavam cada vez mais Brasil, e não fora dele. Assim, quando Anita fundou a Semana de Arte Moderna em 1920, Tarsila tratou logo de voltar para participar do evento.

Quando voltou novamente ao Brasil, Tarsila logo se identificou com a proposta de seus amigos e chegou para inaugurar a Semana de Arte de 1922, como uma peça que não poderia ficar faltando. O evento abriu as portas para um novo conceito de arte, que trazia inspiração nas cores, realidades e cenas vistas em solo brasileiro – todas produções dos “clube dos cinco”: Osald de Andrade, Mário de Andráde, Menotti del Picchia e Tarsila do Amaral.

A Semana de Arte Moderna foi um sucesso e teve uma repercussão internacional inesperada. Sendo assim, em questão de poucos meses, Tarsila e seus amigos formaram definiticamente o grupo dos cinco e se comprometeram a continuar a trazer novas obras para compor esse cenário modernista.

No final de 1922, Tarsila retornou aos estudos em Paris ao lado de Oswald de Andrade – dessa vez, para estudar com os mestres cubistas Alebrt Gleizes e Fernande Léger. Durante um ano, ambos se encarregaram de uma programação cheia de conferênicas e exposições que ajudassem a divulgar o movimento para a intelectualidade parisiense. Foi por meio dela que se fez saber das novas tendênicas, Pablo Picasso e o Casal Delaunay, por exemplo.

Tarsila e Oswald  criam juntos uma série de contatos importantes que seriam a base para a divulgação do que acontecia no Brasil. O período próximo transforou a amizade em amor e contribuiu para inspiração de suas primeiras obras enquanto casal. A primeira foi o livro Pau-Brasil que conta com ilustrações de Tarsila. O nome seria inspiração para a primeira fase da carreira da artista que, naquele momento, ainda não havia revelado todo o seu brilho.

Semana de arte moderna de 1922

Pau Brasil

A técnica cubista é uma das grandes influencias da autora e a que lhe deu a base para tornar a sua característica ainda mais autoral. A partir da sua segunda estada na Europa também passa a buscar traços mais identitários para a sua obra. Ela mesma contava, por exemplo, que sempre que buscava usar cores que via na sua infância – em grande parte cores vivas – era tida como caipira.

Tarsila do Amaral e Oswald de Andrade

As cenas dos quadros que pintava também se modificaram, passando para retratar cenas e paisagens rurais e urbanas genuinamente brasileiras. Desde que se envolveu mais fortemente no modernismo passou a produzir obras que se tornariam lendárias, como o Carnaval em Madureira ou o Morro da Favela. Essa fase de sua carreira é conhecida como “Pau Brasil”.

Em 1926, já conhecida pela sua beleza e talento, Tarsila do Amaral fez uma exposição individual promissora em Paris. No mesmo ano, casou-se com Oswald de Andrade e voltaram para o Brasil para emergir em suas raízes novamente.

Ao chegar da Europa embarcaram numa viagem dentro do Brasil, para conhecer aquilo que pertenciam,mas ainda não haviam desbravado. Passam por norte, nordeste, sudeste e enchem os olhos de experiências que os ajudem a compreender seu próprio território. As contaminações foram ingrediente que faltava para aliar a técnica à realidade.

Antropofagia e O Abaporu

A fase antropofágica da obra de Tarsila iniciou-se em 1928 quando a autora queria presentear o marido com uma obra inigualável – e conseguiu. Afinal, do fruto de seu esforço surgiu “O Abapuru”.

O Abapuru retrata o quadro de um homem que come carne humana, o antropófago. A figura tentava simbolizar justamente o movimento que queria engolir a cultura européia e transformá-la em algo que fosse genuinamente brasileiro.

Segundo a própria autora a inspiração para o quadro se deu a partir de imagens do seu subconsciente e de histórias que escutava das negras da fazenda de seu pai.

Nessa mesma fase inspirou-se a produzir outros quadros no mesmo estilo, como O Sol Poente, A Luz, O lago e Antropofagia. Ainda ao seu lado, Oswald escreve o “Manifesto Antropofágico” que ressalta as mesclas culturais brasileiras.

Tarsila, em entrevista a Revista Crítica, em 19 de julho de 1929 ajudava a fazer entender o que queriam com a criação do novo movimento, que já ia para além do modernismo:

A antropofagia é o movimento representativo de uma época e terá seu próprio ciclo. Me parece o indicador de uma enorme renovação brasileira, aquela que levará o Brasil aos destinos mais elevados porque não é um movimento meramente literário ou colonial.

Tarsila estava certa. Essa criação dela mesma com seu marido seria a ruptura perfeita com os modelos pré-determinantes europeus e estimulou milhares de artistas a tentar representar a multiculturalidade brasileira, mesmo para aqueles que não eram daqui.

Nesse mesmo período Tarsila fez sua primeira Exposição Individual no Brasil, em 1929. Entretanto, no mesmo ano, a vida de Tarsila mudou drasticamente por conta da crise econômica que levou seu pai a falência e da traição de seu marido com Patrícia Galvão, que levou os dois a separarem-se.

Desempregada e sem dinheiro, Tarsila não viu outra saída a não ser vender alguns quadros de sua coleção pessoal.

Biografia de Tarsila do Amaral

Fase social e NeoPau Brasil

A terceira fase do trabalho de Tarsila é o NeoPau Brasil, se iniciando em 1931, quando a autora começa a namorar com o médico comunista Osório de Cesar. Os dois apaixonam-se não somente entre si, mas pela ideia de igualdade. Assim, junto à ele, Tarsila deixa os familiares e amigos no Brasil e usa o dinheiro das vendas dos quadros de sua coleção pessoal para morar na União Soviética por tempo indeterminado.

Por influências de suas novas paixões, Tarsila passa a dar um tom cada vez mais crítico a suas obras desde que se envolve com o Partido Comunista Brasileiro. Sua participação a chegou a lhe fazer ficar presa por mais de um mês, por se tratar de uma “ameaça comunista”.

Tarsila do AmaralDepois da prisão, Tarsila passa a dar mais importância para a sua segurança e decide romper com o namorado e o partido comunista.

No mesmo período criou a tela “Operários” , “Costureiras”, “Orfanato” e “Segunda Classe” todas com uma forte crítica social embutida que tudo tinham a ver com o momento político de sua vida e do Brasil.

A partir de 1936 o trabalho da autora começou a se tornar mais lento, uma vez que a autora passou a colaborar também com a literatura no Diários Associados por influencia de seu novo namorado, o escritor Luís Martins com quem manteve um relacionamento de mais de 18 anos.

Após o falecimento de sua neta num afogamento, Tarsila de Amaral tornou-se mais reclusa. Sua pintura se torna mais escassa, seus esboços e desenhos mais raros. Dedicava-se mais a contemplar o museu pessoal que criou em casa com quadros de Villa Lobos, Malfatti, Picasso e outros célebres do que a criar novas obras.

Apesar depressão, ainda gostava de cumprir com as suas obrigações sociais no cenário local.

Em 1973, Tarsila faz uma cirurgia para tratar de uma dor nas costas persistente, mas por ume rro médico, acaba paraplégica e presa a uma cadeira de rodas.

Durante os tempos de confinamento na cadeira encontrou no espiritismo um alívio e se tornou amiga pessoal de Chico Xavier, inclusive, deixando à ele uma série de obras da sua coleção pessoal.

Pouco tempo depois, aos 84 anos, faleceu na madrugada de 18 de janeiro de 1973 e foi velada com um vestido branco que ela mesma escolheu.

A sua morte foi homenageada pela União Astronômica Internacional, em 20 de novembro de 2008, que deu o nome “Amaral” a uma cratera do planeta Mercúrio. Ainda hoje, a artista tem uma das exposições mais visitadas na França e é um dos nomes mais importantes do período modernista, sendo também uma das pintoras mais icônicas do Brasil.

Ainda hoje seus quadros possuem alto valor de mercado. Seu quadro mais famoso, Abaporu foi vendido para um colecionador argentino em 1995  no valor de US$ 1.3 milhão. Recentemente, em 2019, o quadro “A Lua” (o preferido de Oswald de Andrade) foi adquirido peloMoMa (Museu de Arte Moderna de Nova York) por US$ 20 milhões e voltou a fazer crescer o valor da assinatura da autora que, mesmo morta, continua célebre por sua vida e obra.

Biografia Resumida – Linha do tempo

  • 01/09/1886 – Nasce Tarsila do Amaral
  • 1904 – Vai para a Espanha e casa-se com André Teixeira Pinto, com quem teve uma filha
  • 1916 – Começa a estudar no ateliê William Zadig
  • 1920 – Separa-se de André Teixeira Pinto
  • 1922 – Tem uma tela admitida no Salão Oficial dos Artistas Franceses e regressa ao Brasil para acompanhar de perto a Semana de Arte Moderna e integra o clube dos 5
  • 1923 – Tarsila volta à Europa e mantém contato com grandes intelectuais
  • 1925 – Inicia a produção de quadros que se enquadram no movimento de valorização da cultura nacional e casa-se com Oswald de Andrade
  • 1929 – A família de Tarsila vai à falência e ela expõem pela primeira vez no Brasil, no Palace Hotel em São Paulo
  • 1930 – Descobre a traição do marido e separa-se
  • 1928 – Inicia o movimento antropofágico ao pintar O Abapuru
  • 1931 – Começa a namorar Osório de Cesar e se envolve com o Partido Comunista
  • 1933 – Inicia oficialmente a sua fase social com pinturas que faziam críticas ao sistema capitalista
  • 1935 – É presa por conta de envolvimentos políticos
  • 1936 –  Trabalhou como colunista no Diários Associados e oficializa seu relacionamento com o escritor Luís Martins
  • 1949 – Sua neta Beatriz morre afogada tentando salvar uma amiga num lago em Petrópolis
  • 1951 – Participa da Bienal de São Paulo tendo uma tela em sala especial
  • 1964 – Participa da Bienal de Veneza
  • 1966 – Morre sua filha
  • 1969 – É agraciada por Aracy Amaral com a exposição “Tarsila 50 anos de pintura”
  • 18/01/1973 – Morre decorrente de complicações pós-operatórias.

Obras de Tarsila do Amaral

As obras de Tarsila do Amaral estão dispersas em vários acervos, alguns particulares. Também há quadros armazenados no Museu de Arte Contemporânea da USP, a Pinacoteca de São Paulo e a Biblioteca Mário de Andrade.

Ao todo Tarsila pintou mais de 270 obras. Para quem não tem a oportunidade de ver as exposições, a maior parte de suas obras podem ser conferidas no acervo do site Art And Culture do Google. 

Abaixo, você confere quais são as principais obras da autora:

  • A Negra (1923)

A Negra

  • A Cuca (1924)

Cuca, Tarsila do Amaral

  • Morro da Favela (1924)

Morro da Favela - Tarsila do Amaral

  • São Paulo (1924)

São Paulo - Tarsila do Amaral

  • O Mamoeiro (1925)

Mamoeiro Tarsila do Amaral

  • Autorretrato (Manteau Rouge) (1925)

Autorretrato de Tarsila do Amaral

  • Manacá (1927)

Manacá Tarsila do Amaral

  • Abaporu (1928)

Abaporu Tarsila do Amaral

  • O ovo (Urutu) (1928)

Ovo, Tarsila do Amaral

  • Distância (1928)

Distância - Tarsila do Amaral

  • A lua (1928)

A Lua, Tarsila do Amaral

  • O sono (1928)

Sono, Tarsila do Amaral

  • Antropofagia (1929)

Antropofagia, Tarsila do Amaral

  • Sol poente (1929)

Sol Poente, Tarsila do Amaral

  • Floresta (1929)

Floresta Tarsila do Amaral

  • Cartão-postal (1929)

Cartão Postal, Tarsila do Amaral

  • Operários (1933)

Operários, Tarsila do Amaral

  • Segunda Classe (1933)

Segunda Classe, Tarsila do Amaral

Características das Obras

As principais características das obras de Tarsila do Amaral trás muitas referências de onde estudou e da importância que deu à representação da cultura brasileira. Pode-se destacar como marcas da artista:

  • Uso de cores vivas;
  • Influências do cubismo por conta do uso de formas geométricas;
  • Abordagem de temas sociais, como cotidianos e paisagens;
  • Estética fora do padrão, influências surrealistas e antropofágicas.

Representações de Tarsila na Cultura

A Tarsila do Amaral já foi retratada como personagem em filmes e minisséries. Entre elas:

  • Eternamento Pagu (1987)
  • Um Só Coração (2004)
  • JK (2006)

Além disso, também há um catálogo oficial com todas as suas obras publicado em 2008 e que serve como a base de projetos culturais de diversos artistas e institituições. A obra pode ser conferida na Pinacoteca de São Paulo.

Frases de Tarsila do Amaral

  • “Eu invento tudo na minha pintura. E o que eu vi ou senti, eu estilizo.” 

  • “Minha força vem da lembrança da infância na fazenda, de correr e subir em árvores. E das histórias fantásticas que as empregadas negras me contavam.” 

  • “Parece mentira, mas foi no Brasil que tomei contato com a arte moderna.” 

  • “Tenho encontrado tanto carinho por parte deles [os amigos] que estou perdendo meu complexo de inferioridade que dura mais de dez anos.”

  • “Não sei quem está fazendo isso. Noticiou-se na Difusora e Bandeirante. Todos estão prometendo ir ao vernissage. Se for a metade, já está ótimo. Estou sentindo que vou trabalhar muito em pintura, mesmo durante a exposição. Tomei gosto.” 

Curiosidades

  1. O quadro mais famoso de Tarsila, O Abapuru, foi leiloado para o colecionador argentino Christie’s de Nova York em novembro de 1995. A peça foi adquirida por 1,5 milhões de dólares e foi considerado a obra brasileira mais cara já vendida;
  2. Tarsila do Amaral tinha o hábito de levar garrafas de cachaça brasileira para as suas viagens ao exterior e enganava os alfandegários dizendo que era para passar na pele;
  3. A primeira separação de Tarsila se deu por conta de desentendimento com o marido, que preferia que ela ficasse em casa cuidando dos afazeres domésticos. Ela, revoltada, esperou a filha nascer para se separar e voltar ao Brasil;
  4. Tarsila do Amaral obteve uma maiores das coleções de arte pessoais do Brasil. Entre seu acervo pessoal tinha obras de Léger, Picasso, Lhote, Almeida Junior, Anita Malfatti, entre outros nomes;
  5. Antes de morrer, Tarsila do Amaral ficou paraplégica por conta de um erro médico. Nesse momento de sua vida entregou-se ao espiritismo em busca de uma cura, inclusive, chegou a vender e doar todo o dinheiro que recebia à instituições de caridade.

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Rafaela Trevisan Cortes

Rafaela Trevisan Cortes, jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). Revoltada por natureza, vê na comunicação uma oportunidade de extravasar a sua paixão por curiosidades, arte e conhecimento.

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