Biografia de Luiz Gonzaga → Resumo da Vida, Obra e Características

Luiz Gonzaga, também chamado “Rei do Baião”, foi um cantor, compositor e sanfoneiro brasileiro, considerado um dos principais representantes da música e cultura nordestina. Suas músicas, conhecidas em todo o Brasil, retratam aspectos da cultura do nordeste brasileiro.

Conheça um pouco mais da vida do Rei do Baião nesta biografia que preparamos para você!

Biografia de Luiz Gonzaga

Luiz Gonzaga do Nascimento nasceu no dia 13 de dezembro de 1912, na Fazenda Caiçara, em Exu, Pernambuco. Foi filho de Januário José dos Santos, lavrador e sanfoneiro, e de Ana Batista de Jesus.Luiz Gonzaga foi o segundo filho do casal, de um total de oito.

Seu nome foi escolhido em homenagem a Santa Luzia, cujo dia de festa é justamente o 13 de dezembro.

Já novo, Luiz Gonzaga ia ajudar seu pai na roça. Foi justamente com seu pai que ele teve seus primeiros passos na música, pois Januário tocava sanfona de oito baixos.Aprendendo a tocar e a cantar, logo começou a acompanhar o pai nas festas e bailes da região.

Ainda novo, envolveu-se com Nazarena, uma moça do município, filha do coronel Raimundo Deolindo, que desaprovava o relacionamento. Quando os pais de Luiz Gonzaga descobriram, deram uma surra no rapaz.

Toda essa situação possivelmente motivou o ingresso de Luiz Gonzaga no Exército em Fortaleza, em 5 de junho de 1930, então com 18 anos. Serviu por nove anos, passando por diversos estados brasileiros. Nesse período em que esteve no exército, não deixou de se interessar pela música, servindo inclusive como corneteiro da tropa e tendo aulas de sanfona com o soldado Domingos Ambrósio, com quem fez amizade.

Luiz Gonzaga Biografia

Passagem pelo Rio de Janeiro

Deixando o exército em 27 de março de 1939, Luiz Gonzaga parte para o Rio de Janeiro, onde começa a se apresentar nas ruas, bares e programas de calouro da cidade, mas sem obter muito êxito.

Tudo mudou, porém, quando ele se apresentou, em 1941, no programa de Ary Barroso, na Rádio Nacional, com sua música “Vira e Mexe”, ficando em primeiro lugar. Depois disso, sua carreira decolou e Luiz Gonzaga começou a se apresentar em diversas rádios da cidade, como nas rádios Clube do Brasil e Tamoio. Foi nessa época que passou a se vestir de vaqueiro nordestino.

Nos anos seguintes, lançou diversos sucessos, como “Baião” (1946), “Meu Pé de Serra” (1946), “Asa Branca” (1947), “Baião de Dois” (1950) e outros.

As músicas de Luiz Gonzaga tematizavam sempre os costumes e a cultura nordestina. Asa Branca, lançada em 3 de março de 1947, um dos seus primeiros sucessos nacionais e até hoje a sua música mais conhecida, representa o sofrimento do povo nordestino diante das secas da região. Ela foi composta em parceria com Hugo Teixeira.

Volta ao Nordeste

Em 1945, Luiz Gonzaga conheceu Odaléia Guedes, cantora de coro e samba, numa casa de shows, e iniciou um relacionamento com ela. Odaléia já estava grávida quando conheceu Luiz Gonzaga, e este assumiu o filho como seu. Ele nasceu em 22 de setembro de 1945, com o nome Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior, que também seguiria carreira musical, sendo mais conhecido como Gonzaguinha.

Luiz Gonzaga e Odaléia Guedes passaram algum tempo junto, mas o relacionamento acabou se desgastando e eles se separaram.

Em 1946, volta a Exu, município de Pernambuco, e reencontra sua família, com a qual não manteve contato desde o alistamento no exército. A passagem por ali seria breve, e no mesmo ano ele voltaria ao Rio de Janeiro.

>> Conheça também a vida e obra do nordestino Romero Britto << 

Casamento e Relacionamento com o Filho

De volta ao Rio de Janeiro, em 1946, conheceu Helena Neves Cavalcanti, professora, com quem se casaria em 1948. Helena não conseguia engravidar, então o casal adotou uma filha, a quem chamaram Rosa Cavalcanti Gonzaga do Nascimento. Eles permaneceriam juntos até a morte de Luiz.

Em 1947, Adaléia Guedes, mãe de Gonzaguinha, morreu, vítima de tuberculose. Luiz Gonzaga tentou fazer com que o filho fosse morar com ele, mas não conseguiu. Durante grande parte da vida, Luiz Gonzaga e Gonzaguinha tiveram uma relação conflituosa, dando-se bem apenas quando Gonzaguinha tornou-se música e ambos começaram a compor e a viajar juntos.

Pelo restante da vida, Luiz Gonzaga seguiu fazendo shows e teve suas músicas regravadas por inúmeros artistas, como Gilberto Gil, Geraldo Vandré e Caetano Veloso.

Luiz Gonzaga morreu no dia 2 de agosto de 1989, vítima de uma parada cardiorrespiratória, em Recife, Pernambuco.

Conheça também a história de outros autores brasileiros:

Lista de Obras

História Luiz Gonzaga

  • A dança da moda, Luiz Gonzaga e Zé Dantas (1950)
  • A feira de Caruaru, Onildo Almeida (1957)
  • A letra I, Luiz Gonzaga e Zé Dantas (1953)
  • A morte do vaqueiro, Luiz Gonzaga e Nelson Barbalho (1963)
  • A triste partida, Patativa do Assaré (1964)
  • A vida do viajante, Hervé Cordovil e Luiz Gonzaga (1953)
  • Acauã, Zé Dantas (1952)
  • Adeus, Iracema, Zé Dantas (1962)
  • Á-bê-cê do sertão, Luiz Gonzaga e Zé Dantas (1953)
  • Adeus, Pernambuco, Hervé Cordovil e Manezinho Araújo (1952)
  • Algodão, Luiz Gonzaga e Zé Dantas (1953)
  • Amanhã eu vou, Beduíno e Luiz Gonzaga (1951)
  • Amor da minha vida, Benil Santos e Raul Sampaio (1960)
  • Asa-branca, Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga (1947)
  • Assum-preto, Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga (1950)
  • Ave-maria sertaneja, Júlio Ricardo e O. de Oliveira (1964)
  • Baião, Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga (1946)
  • Baião da Penha, David Nasser e Guio de Morais (1951)
  • Beata Mocinha, Manezinho Araújo e Zé Renato (1952)
  • Boi bumbá, Gonzaguinha e Luiz Gonzaga (1965)
  • Boiadeiro, Armando Cavalcanti e Klécius Caldas (1950)
  • Cacimba Nova, José Marcolino e Luiz Gonzaga (1964)
  • Calango da lacraia, Jeová Portela e Luiz Gonzaga (1946)
  • O Cheiro de Carolina, – Sua Sanfona e Sua Simpatia
  • Chofer de praça evaldo Ruy e Fernando Lobo (1950)
  • Cigarro de paia, Armando Cavalcanti e Klécius Caldas (1951)
  • Cintura fina, Luiz Gonzaga e Zé Dantas (1950)
  • Cortando pano, Jeová Portela, Luiz Gonzaga e Miguel Lima (1945)
  • Dezessete légua e meia, Carlos Barroso e Humberto Teixeira (1950)
  • Feira de gado, Luiz Gonzaga e Zé Dantas (1954)
  • Firim, firim, firim, Alcebíades Nogueira e Luiz Gonzaga (1948)
  • Fogo sem fuzil, José Marcolino e Luiz Gonzaga (1965)
  • Fole gemedor, Luiz Gonzaga (1964)
  • Forró de Mané Vito, Luiz Gonzaga e Zé Dantas (1950)
  • Forró de Zé Antão, Zé Dantas (1962)
  • Forró de Zé do Baile, Severino Ramos (1964)
  • Forró de Zé Tatu, Jorge de Castro e Zé Ramos (1955)
  • Forró no escuro, Luiz Gonzaga (1957)
  • Fuga da África, Luiz Gonzaga (1944)
  • Hora do adeus, Luiz Queiroga e Onildo Almeida (1967)
  • Imbalança, Luiz Gonzaga e Zé Dantas (1952)
  • Jardim da saudade, Alcides Gonçalves e Lupicínio Rodrigues (1952)
  • Juca, Lupicínio Rodrigues (1952)
  • Lascando o cano, Luiz Gonzaga e Zé Dantas (1954)
  • Légua tirana, Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga (1949)
  • Lembrança de primavera, Gonzaguinha (1964)
  • Liforme instravagante, Raimundo Granjeiro (1963)
  • Lorota boa, Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga (1949)
  • Moda da mula preta, Raul Torres (1948)
  • Moreninha tentação, Sylvio Moacyr de Araújo e Luiz Gonzaga (1953)
  • No Ceará não tem disso, não, Guio de Morais (1950)
  • No meu pé de serra, Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga (1947)
  • Noites brasileiras, Luiz Gonzaga e Zé Dantas (1954)
  • Numa sala de reboco, José Marcolino e Luiz Gonzaga (1964)
  • O maior tocador, Luiz Guimarães (1965)
  • O xote das meninas, Luiz Gonzaga e Zé Dantas (1953)
  • Ô véio macho, Rosil Cavalcanti (1962)
  • Obrigado, João Paulo, Luiz Gonzaga e Padre Gothardo (1981)
  • O fole roncou, Luiz Gonzaga e Nelson Valença (1973)
  • Óia eu aqui de novo, Antônio Barros (1967)
  • Olha pro céu, Luiz Gonzaga e Peterpan (1951)
  • Ou casa, ou morre elias Soares (1967)
  • Ovo azul, Miguel Lima e Paraguaçu (1946)
  • Padroeira do Brasil, Luiz Gonzaga e Raimundo Granjeiro (1955)
  • Pão-duro, Assis Valente e Luiz Gonzaga (1946)
  • Pássaro carão, José Marcolino e Luiz Gonzaga (1962)
  • Pau-de-arara, Guio de Morais e Luiz Gonzaga (1952)
  • Paulo Afonso, Luiz Gonzaga e Zé Dantas (1955)
  • Pé de serra, Luiz Gonzaga (1942)
  • Penerô xerém, Luiz Gonzaga e Miguel Lima (1945)
  • Perpétua, Luiz Gonzaga e Miguel Lima (1946)
  • Piauí, Sylvio Moacyr de Araújo (1952)
  • Piriri, Albuquerque e João Silva (1965)
  • Quase maluco, Luiz Gonzaga e Victor Simon (1950)
  • Quer ir mais eu?, Luiz Gonzaga e Miguel Lima (1947)

Confira um pouco das obras e influências do autor no álbum, abaixo:

Frases de Luiz Gonzaga

Frase de Luiz Gonzaga

Uma esmola, pra o homem que é são, ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão.

Frase de Luiz Gonzaga

Pelo tamanho do copo se conhece o bebedor; pelo roncado do fole se conhece o tocador.

Frase de Luiz Gonzaga

Bom vaqueiro nordestino Morre sem deixar tostão O seu nome é esquecido Nas quebradas do sertão

Frase de Luiz Gonzaga

Vida boa vida alegre, minha vida é um pagode, Me criei roubando cabra, vou morrer roubando bode.

Frase de Luiz Gonzaga

O sonho deve acabar na melhor parte por um bom motivo, talvez assim você acorde e tenha vontade suficiente para realizar.

  • Minha toada é mensageira da paz e minha música sempre foi cristã

  • Eu criei tanta coisa que, hoje, sabendo de todos os sanfoneiros parados que tem por aí, eu devo deixar o meu lugar. Porque não sou mais sanfoneiro nem cantor, porque sou simplesmente Luiz Gonzaga, um velho com gogó bom. Não ganho dinheiro como sanfoneiro, ganho como Luiz Gonzaga. 

  • O ritmo que o cantador aplicava à viola que era feita para entrar na cantoria chamava-se baião, e eu achava aquela mistura ritmo-melódica interessante.

  • Não dou esmola, não faço favor, não ajudo a ninguém, sou pão duro, vivo bem. Quem quiser que faça assim como eu também.

  • Tu és mulher para homem nenhum, botar defeito só por satisfeito eu vou dançar com você

  • Olha pro céu, meu amor vê como ele está lindo, olha praquele balão multicor como no céu vai sumindo.

  • Eu queria cantar o Nordeste. Eu tinha a música, tinha o tema. O que eu não sabia era continuar. Eu precisava de um poeta para escrever aquilo que eu tinha na cabeça, de um homem culto para ensinar as coisas que eu não sabia. Eu sempre fui um bom ouvidor. Cheguei até a enganar que era culto!

Rafaela Trevisan Cortes

Rafaela Trevisan Cortes, jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). Revoltada por natureza, vê na comunicação uma oportunidade de extravasar a sua paixão por curiosidades, arte e conhecimento.

Conheça Mais Sobre o Autor

Deixe seu Comentário

WebGo Content