Paulo Freire – Biografia Resumida, Características, Principais Fatos e História

Paulo Freire foi um educador e filósofo brasileiro, sendo considerado um dos mais brilhantes do mundo.

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Nomeado “Patrono da Educação Brasileira”, Freire é um dos principais influenciadores da chamada “pedagogia crítica” e autor de uma série de obras célebres, dentre elas a sua mais conhecida, a “Pedagogia do Oprimido”.

Se você deseja conhecer um pouco mais da vida deste brilhante educador e filósofo brasileiro, continue lendo esta biografia completo que preparamos para você.

Nascimento e primeiros anos

Paulo Reglus Neves Freire nasceu no dia 19 de setembro de 1921, na cidade de Recife, capital de Pernambuco.

Filho do capitão da Polícia Militar do estado, Joaquim Temístocles Freire, e da “Dona Tudinha”, apelido de Edeltrudes Neves Freire.

Embora sua família fosse o que hoje conhecemos como “classe média”, Paulo e seus familiares conheceram a pobreza e a fome durante os anos posteriores à grande depressão de 1929, o que desde cedo desenvolveu nele uma preocupação para com os mais desafortunados.

Aos treze anos de idade, Paulo perdeu seu pai, cabendo à sua mãe, Dona Tudinha, sustentar Paulo e seus três irmãos.

Na escola, Paulo Freire tornou-se auxiliar de disciplina, o que permitiu que ele, após se formar, se tornasse professor de Língua Portuguesa.

Ensino superior, casamento e início do trabalho com analfabetos

Em 1943, Paulo Freire ingressou no curso de Direito da Universidade de Recife, onde também estudaria a respeito da filosofia da linguagem.

Apesar da formação em Direito, Freire nunca chegou a exercer a advocacia, optando pela educação. Seu conhecimento na área, entretanto, certamente o ajudou a pensar a respeito da situação da educação e das políticas públicas.

No ano seguinte, Paulo Freire casou-se com Elza Maia Costa de Oliveira, uma de suas colegas de trabalho.

Em 1946, Paulo foi indicado ao cargo de Diretor do Departamento de Educação e Cultura do Serviço Social no estado de Pernambuco. Foi nele que o educador começou a trabalhar com analfabetos de classes mais baixas, de jovens a adultos em situação de pobreza a trabalhadores industriais.

Em 1959, Freire foi aprovado na cátedra de História e Filosofia da Educação, da Escola de Belas Artes da Universidade de Recife, desenvolvendo sua tese “Educação e atualidade brasileira”.

Desenvolvimento do “Método Paulo Freire” e Experiência de Angicos

paulo freire professor

No ano de 1961, Paulo Freire passou a ocupar o cargo de Diretor do Departamento de Extensões Culturais da Universidade do Recife.

Nesse mesmo ano, ele desenvolveria, junto a sua equipe, algumas experiências de alfabetização popular. Tais experiências serviriam para ele, posteriormente, desenvolver o método de educação conhecido como “Método Paulo Freire”.

Inicialmente, Paulo Freire e sua equipe realizaram um experimento com cinco alunos. Dos cinco, três aprenderam a ler em 30 horas e os outros dois não chegaram a concluir o curso.

Em 1962, Freire foi convidado a realizar um experimento semelhante na pequena cidade de Angicos, no Rio Grande do Norte. Então, em 1963, Paulo Freire realiza na cidade aquilo que viria a ser conhecido como “Experiência de Angicos”.

O projeto consistia basicamente na alfabetização e na politização de cerca de 300 trabalhadores em apenas 40 horas (uma hora por dia). O projeto teve início em 24 de janeiro de 1963. Na quadragésima hora-aula, em 02 de abril, o próprio então presidente da República, João Goulart, esteve presente.

O método foi levado para outros municípios próximos. A ideia era a de implementar o método no Programa Nacional de Alfabetização, que viria a ser iniciado em 1964.

Porém, fazendeiros locais começaram a tratar o projeto como uma “ameaça comunista”, especialmente após uma greve de trabalhadores que, com o método, passaram a conhecer seus direitos trabalhistas.

O próprio golpe civil-militar de 1964 fez com que a implementação do Plano fosse interrompida. Paulo Freire passa a ser, a partir de então, um inimigo do Estado.

Perseguição política, exílio e publicações de obras emblemáticas

educador paulo freire

Meses depois do início da implementação do plano Nacional de Educação, com base no método freiriano, Paulo Freire é preso pelo governo, acusado de traição, passando 70 dias encarcerado.

Depois da prisão, Freire buscou exílio na Bolívia e, posteriormente, no Chile, onde trabalhou durante cinco anos em favor do Movimento de Reforma Agrária da Democracia Cristã e para a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação.

Ainda em exílio no Chile, Paulo Freire lança no Brasil, em 1967, a obra “Educação como Prática da Liberdade”, baseado especialmente na tese que escreveu em 1959.

No ano seguinte, ele concluiria a escrita de sua obra mais emblemática, “Pedagogia do Oprimido”, que, por conta do regime militar no Brasil, só viria a ser publicado no país em 1974, quando Geisel subiu ao poder e iniciou o processo de abertura política.

paulo freire preto e branco

Antes de retornar ao Brasil, Paulo Freire viria ainda a ser professor convidado da Universidade de Harvard em 1969, graças ao sucesso de seus livros e de seu método, e consultor educacional do Conselho Mundial de Igrejas, na época em que morou em Genebra, na Suíça, além de trabalhar como consultor educacional em colônias portuguesas na África, ajudando nas reformas educacionais.

Volta ao Brasil e anos finais

Em 1979, entrou em vigor a anistia no Brasil.

Paulo Freire voltou ao país em 1980, filiando-se ao Partido dos Trabalhadores, atuando no programa do partido para a alfabetização de adultos entre 1980 e 1986.

Em 1986, sua mulher, Elza de Oliveira, com quem ele se casou em 1944 e teve cinco filhos, faleceu. Paulo viria a se casar novamente em 1988, com Ana Maria Araújo, com quem ficaria até sua morte, em 1997.

De 1988 a 1991, durante a gestão da prefeita de São Paulo Luiza Erundina, filiada ao PT, Paulo Freire foi nomeado secretário municipal de educação.

Após sua saída, em 1991, seu assessor e posteriormente orientando de doutorado Mario Sergio Cortella assumiu o cargo, até o término do mandato da prefeita, em 1992.

Paulo Reglus Neves Freire morreu no dia 02 de maio de 1997, de parada cardíaca, após ser submetido a uma angioplastia devido a problemas no sistema circulatório.

Principais obras de Paulo Freire

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☑️ Educação e atualidade brasileira (1959),

☑️ Alfabetização e conscientização (1963),

☑️ Educação como prática da liberdade (1967),

☑️ Pedagogia do Oprimido (1968),

☑️ Os cristãos e a libertação dos oprimidos (1978),

☑️ Educação e mudança (1979),

☑️ Ideologia e educação: reflexões sobre a não neutralidade da educação (1981),

☑️ Pedagogia: diálogo e conflito (1986),

☑️ Alfabetização: leitura do mundo, leitura da palavra (1990),

☑️ Política e educação: ensaios (1993),

☑️ Essa escola chamada vida (1994),

☑️ Pedagogia da Autonomia (1996),

☑️ Pedagogia da esperança: um reencontro com a Pedagogia do Oprimido (1997),

☑️ Pedagogia da indignação (2000).

Patrícia Fischer

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